Wednesday, 01 October 2008, Ă (s) 13:22

Esse exame mais pareceu uma aula.

Eu 'tava lá, fazendo tudo - direitinho, imagino -, e a examinadora vem puxar papo comigo.
Muitíssimo bem humorada e, pra melhorar ainda mais, ela ia me dando dicas.

O episódio da baliza, por exemplo. Eu 'tava com TUDO sob controle e ela veio falando: "Vai, vai... Isso, virando o volante... Olhando pra trás? Certinho..."

Eu sempre imaginei um examinador caladão, que não falasse absolutamente NADA durante o exame, pra no final ir enumerando os erros.

Acabou que, no final, quando eu encostei o carro - perto de toda aquela platéia à toa que fica ali por conta de assistir aos exames - e desliguei na chave, ela me falou que eu tinha passado.

Alívio.

O que eu não esperava é que um simples abrir de porta pudesse estragar não só a festa pela carteira, como também colocar em risco a vida de uma outra pessoa.
Esquecendo de olhar o retrovisor, fui quente pra sair do carro e...

Pronto.
Vem um senhor de (muita) idade, numa bicicleta, e bate na porta recém-aberta.

Primeira coisa que me veio à cabeça: "Perdi a carteira".
Segunda coisa: "Perdi a carteira"
Terceira: "Fudeu"

Todo mundo foi socorrer o senhor - inclusive eu, claro -, que foi levado pro hospital. De início, parecia que ele não tinha quebrado osso algum ou sofrido qualquer outro tipo de lesão grave; só um arranhãozinho no braço, mesmo.

Fui direto pro meu instrutor, que me falou: "Provado"
"REprovado, né?"
"Não, Aprovado..."
"Ué, mas e o acidente? Não é falta elimatória?"
"É, com certeza, mas ela fechou seu exame assim que você desligou o carro".



Depois disso, fui pro hospital acompanhar o senhor - Gabriel -, minha primeira vítima no trânsito. Primeira de muitas?

Correu tudo bem lá.
Ele ficou em observação.
Pressão foi láaa em cima, mas voltou.
Apareceu a família.
Os pormenores do acidente foram repeditos 1.000.000 de vezes - não pelo velho, e sim por um genro dele, que não só fazia parte da platéia, como também esperava pela sua vez de ser examinado.

Ele teve alta.
Deixei meu telefone com a filha.
Deu tudo certo. Ou melhor: MENOS errado.

Não neguei a culpa hora nenhuma.
Diz o genro que o senhor 'tava voltando de um exame médico feito na cabeça (?) e que 'tava meio alterado. "Eu nunca nem vi isso... A pessoa fazer um exame médico que mexe com o sistema nervoso e depois ficar no trânsito", instrutor.
Só que isso é um detalhe. Ter olhado no retrovisor antes... Ter um pouco mais de atenção aquela hora... Teria me poupado as quase duas horas de clima ruim lá do hospital... Além de ter tirado esse gosto amargo com que a carteira ficou.

Não foi do jeito que eu esperava, mas 'tá aí.

Finalmente, habilitação AB.

Sem maiores comemorações: só a sensação de dever cumprido.
opeordetodos
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